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Resenha Crítica - “Édipo Rei”
Por Marcelo Pardini
Publicado em 21/02/2008 | Veja outros artigos deste autor

O livro trata da tormenta vivida por Édipo ao saber pela profecia de Delfos que irá matar o pai e desposar a mãe

Tenho em mãos “Édipo Rei”, de Sófocles. Confesso ter ouvido falar sobre Édipo nos bancos da faculdade. Mas não estudei sobre o livro do autor grego Sófocles e, sim, sobre o “complexo de Édipo”, taxado pelo psicanalista Freud para designar casos de amor entre filhos e mães. Portanto, fiquei instigado a fazer a resenha crítica da obra.
Um dos maiores filósofos da antiguidade, Sófocles (495 a.C. – 406 a.C.) produziu mais de 120 peças, das quais restaram conservadas apenas sete, dentre elas “Édipo Rei”. O livro trata da tormenta vivida por Édipo ao saber pela profecia de Delfos que irá matar o pai e desposar a mãe.
Édipo nasceu em Tebas. Era filho do Rei Laio e Jocasta. Certa ocasião, o oráculo profetizou que Laio seria morto pelo próprio filho. Assim, Édipo foi entregue a um pastor do Monte Citéron, com os tornozelos perfurados para que não pudesse se locomover, ou seja, estava entregue à morte.
No entanto, esse pastor ficou comovido e entregou a criança a outro homem, que por sua vez, levou o menino para o Rei de Corinto - Pólibo, que não tinha filhos.
Édipo crescia ao mesmo tempo em que aumentavam os comentários de que ele não era filho legítimo de Pólibo, mesmo tendo o Rei lhe assegurado tal informação. Para sanar suas dúvidas, Édipo vai a Delfos consultar o oráculo.
O oráculo não lhe revela os pais verdadeiros, mas lhe conta que é destinado a matar o pai e casar com a própria mãe. Horrorizado, Édipo deixa Delfos disposto a nunca mais retornar a Corinto, onde viviam Pólibo e sua esposa, então seus pais.
Sem saber, o trágico caminho de Édipo estava traçado. Nas redondezas de Delfos, ele se depara com a carruagem do Rei Laio. Esse encontro acaba mal, pois em meio a uma confusão, Édipo mata Laio, seu pai verdadeiro.
Édipo acaba chegando a Tebas, cidade de Laio, a qual estava sendo aterrorizada pela Esfinge, um monstro metade leão, metade mulher, que fazia charadas, sendo que àqueles que não conseguissem solucioná-las eram jogados num precipício.
Quando a morte de Laio se tornou conhecida em Tebas, o trono e a mão da rainha de Laio foram oferecidos ao homem que pudesse solucionar a charada e livrar a região da terrível Esfinge. Para Édipo a charada não ofereceu problema. Ele respondeu a pergunta “O que é que anda em quatro pernas, em três pernas e em duas pernas?” com destreza: “O homem, pois quando bebê engatinha de quatro, cresce e anda em duas pernas e com a idade necessita do suporte de uma terceira perna, uma bengala”. Quando a Esfinge escutou a resposta, ficou tão enraivecida e mortificada que se jogou no precipício.
Com isso, os cidadãos de Tebas o fizeram Rei. Ele se casou com Jocasta, com quem teve dois filhos, Etéocles e Polínece, e duas filhas, Antígona e Ismênia. Mais tarde, outra praga se abateu sobre a região de Tebas. E é neste ponto que começa a grande tragédia de “Édipo Rei”.
A colheita morria nos campos, os animais não se reproduziam, as crianças estavam doentes e os deuses não respondiam às preces. Creonte, irmão de Jocasta, retornou de sua consulta ao oráculo de Delfos, que disse que a maldição acabaria quando o assassino de Laio fosse descoberto. Édipo tomou a tarefa de encontrá-lo. Consultou o profeta cego Tirésias, que relutou em revelar a identidade do assassino, mas acabou por fim falando que era Édipo o vilão.
Com isso, Édipo suspeitou que seu cunhado Creonte estava mancomunado com Tirésias para assumir o trono. Ledo engano. O desenrolar desse episódio culmina com a chegada de um mensageiro vindo de Corinto, que conta que Pólibo havia morrido de morte natural. Assim, Édipo se sente feliz por aparentemente ter se livrado de pelo menos uma parte da profecia do oráculo. Só que o mensageiro vai além e assegura a Édipo que Pólibo e sua esposa não eram seus pais.
Para desvendar o mistério entra em cena o pastor de Laio, agora um velho, a única testemunha viva da morte do Rei. O homem diz que tomou o filho de Laio e com pena o entregou ao pastor de Pólibo ao invés de o deixar morrer. A criança era Édipo.
Jocasta volta ao palácio, onde se enforca. Édipo, por sua vez, arranca os broches de ouro do vestido dela e golpeia os próprios olhos. A penitência foi no sentido de “como olhar o mundo, agora que vejo a verdade?”. Édipo era feliz quando “não via” a realidade, imaginando-se um homem poderoso, quando na verdade havia matado o pai e tido uma relação incestuosa com a mãe. Alguns estudiosos dizem que essa cegueira seria uma tentativa inconsciente de voltar a um estado de “não-ver” e, portanto, de felicidade.
O desfecho da história se dá com o coro, que ao povo de Tebas diz: “Guardemo-nos de chamar um homem feliz, antes que ele tenha transposto o termo de sua vida sem ter conhecido a tristeza”. Ou seja, por mais seguro que um homem possa se sentir, sendo ele rico e poderoso, não pode se sentir imune a desastres.

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Marcelo Pardini Editor Executivo do website Jovemcracia. Formado em Jornalismo - UniFiamFaam (2004) e pós-graduado em Marketing e Comunicação Publicitária - Fundação Cásper Líbero (2007). Fez freela para a "Contigo!", da Abril, e foi repórter da "Istoé Dinheiro Rural", da Editora Três. Trabalhou também como redator da agência de Publicidade Hasta Promocional. De setembro de 2007 a junho de 2010, foi Editor-chefe das revistas "Tambor & Baliza" e "Horse´s Life", da Editora HS. Atualmente, comanda a PAC - Pardini Assessoria de Comunicação, e também se dedica à profissão de Leiloeiro Rural (Nº 227).

 

 
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